COPEL TEM DOIS NOVOS DIRETORES, FUNCIONÁRIOS DE CARREIRA

 

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Ana Letícia Feller fala aos sindicatos sobre sua nova responsabilidade, como Diretora de Gestão da Copel

A negociação da PLR 18 entre a Copel e os sindicatos que representam os copelianos, que está em andamento desde a manhã desta quarta, 16/05, começou com uma novidade importante: a informação, em primeira mão, de que estavam assumindo dois novos diretores na Companhia. Como Diretor de Governança, Riscos e Compliance, assume Vicente Loiacono e como Diretora de Gestão Empresarial assume Ana Letícia Feller, ambos funcionários de carreira da Companhia.

Ana Letícia Feller é bastante conhecida pelos sindicatos, pois fazia parte, até então, da comissão de negociação da empresa. Ela esteve presente na reunião, no período da manhã, onde foi apresentada como nova diretora por Cássio Vargas Pinto, que lidera a comissão de negociação da Copel. Ana Letícia Feller afirmou aos sindicatos seu compromisso de trabalhar por uma boa relação com os trabalhadores e os sindicatos, pautada na seriedade e respeito que sempre manteve atuando pela Copel nas negociações.

Vicente Loiacono já passou pela diretoria jurídica e de relações institucionais da empresa e pela área regulatória da Copel DIS, além de ter atuado no Conselho Fiscal da Fundação Copel.

Na opinião dos sindicatos, a posse de diretores de carreira, comprometidos com a empresa e sua trajetória, é fundamental para evitar as manobras políticas recentes que vitimaram a imagem e a gestão da Copel.

SINDICATOS COBRARAM AFASTAMENTO DE EX DIRETOR, ENVOLVIDO EM DENÚNCIAS QUE ATINGEM BETO RICHA

No dia 11 de maio, ao estourarem as denúncias que apontam o envolvimento de homens de confiança de Beto Richa em atos de corrupção, junto com a Construtora Odebrecht, os sindicatos pediram o afastamento de Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete de Beto Richa, que estava empossado Diretor de Gestão da Copel. Deonilson Roldo foi demitido em seguida pela governadora Cida Borghetti.

O que se espera da atual equipe de diretores é que atuem com respeito à Copel, apurando responsabilidades por atos que lesaram a empresa e reconhecendo o empenho dos trabalhadores em manterem a Copel como referência de qualidade nos serviços e modelo de gestão pública.

As informações sobre a PLR serão repassadas pelo blog COLETIVO logo após terminarem as negociações, que podem se estender até amanhã.

Valdir Grandini – Jornalista da Assessoria de Comunicação do Coletivo CSEC.
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ÁUDIO APONTA ENVOLVIMENTO DE DEONILSON ROLDO EM FAVORECIMENTO À ODEBRECHT

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Matéria divulgada ontem, 10/05, pelo site da revista IstoÉ revelou uma gravação em áudio que compromete o governo de Beto Richa em prática de favorecimento à empreiteira Odebrecht, relacionada a obra bilionária de duplicação da PR 323.

Clique aqui para ler a matéria de IstoÉ

A conversa, gravada em áudio e divulgada pela IstoÉ, aconteceu em fevereiro de 2014 entre o então chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo, e Pedro Rache, executivo da construtora Contern. O chefe de gabinete de Beto Richa tentava fazer a Contern desistir de concorrer na licitação pela duplicação, para que a Odebrecht não enfrentasse concorrência. Deonilson Roldo está atualmente empossado Diretor de Gestão Empresarial da Copel pela atual governadora Cida Borghetti.

Os áudios divulgados pela revista estão em poder do Ministério Público e fazem parte do processo que apura se a campanha que elegeu Richa em 2014 recebeu R$ 2,5 milhões da Odebrecht em esquema de favorecimento, via caixa 2.

Na gravação revelada por IstoÉ, Deonilson Roldo diz, literalmente, que o governo tinha um compromisso com a Odebrecht: “A gente tem um compromisso nessa obra aí. Queria ver até onde a gente pode entrar para que esse compromisso não seja desrespeitado”.

A contrapartida oferecida na ocasião pelo atual Diretor de Gestão Empresarial da Copel para a desistência da Contern foi nada menos que “ajuda” do governo para desenrolar uma parceria entre o Grupo Bertin, controlador da construtora, e a Copel, em torno de negócios com usinas térmicas do complexo Aratu, no litoral da Bahia. O negócio, segundo a reportagem, tinha valor próximo a R$ 500 milhões.

Em nota de esclarecimento divulgada hoje, 11/05, a Copel nega ter recebido do governo estadual pedido ou orientação para realizar negócios no Complexo Aratu. Afirma que, embora a Bertin Energia tenha participado de Chamada Pública da Copel para negócios na área de energia, nenhuma proposta concorrente foi aprovada, nem existe parcerias ou aquisição de ativos da Bertin pela Companhia.

Os sindicatos que representam os trabalhadores da Copel consideram insustentável a permanência de Deonilson Roldo na condição de Diretor da empresa e repudiam atitudes de ocupantes de cargos de governo que envolvam o nome da empresa e sua estrutura em favorecimentos e práticas condenáveis.

Uma nota pedindo esclarecimentos e afastamento do Diretor durante apurações foi protocolada pelos sindicatos, dirigida à direção da Copel.

Confira cópia abaixo:

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Valdir Grandini – Jornalista da Assessoria de Comunicação do Coletivo CSEC. 
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CAD PRORROGA A.G.O QUE DECIDIRIA DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS E PLR

novela plrCausando surpresa, o Conselho de Administração da Copel – CAD, durante sua 178ª reunião ordinária realizada ontem, 10/05, decidiu postergar para 15 de junho a Assembleia Geral dos Acionistas – AGO, que estava marcada para o dia 15 de maio.

Essa AGO decidiria sobre a distribuição de dividendos aos acionistas e igualmente sobre a distribuição da Participação nos Lucros e Resultados – PLR, aos empregados, relativas ao exercício de 2017.

Os sindicatos que representam os copelianos consideram que essa decisão quebra agendas de negociações e expectativas dos trabalhadores, e só fazem prejudicar a seriedade com que sindicatos e negociadores da Copel tratam as negociações. São decisões de governantes de ocasião, que abalam a confiabilidade na empresa, em termos de relações de trabalho e respeito aos direitos dos trabalhadores.

Os sindicatos, unidos, protocolaram ofício junto à Copel nesta sexta-feira, cobrando esclarecimento dos motivos que levam ao reagendamento da AGO. Também solicitam à Copel o adiantamento do pagamento da PLR aos empregados, no sentido de respeitar as expectativas dos trabalhadores.

Veja cópia abaixo:

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Valdir Grandini – Jornalista da Assessoria de Comunicação do Coletivo CSEC. 
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PROJETO QUE AUTORIZA PRIVATIZAR A ELETROBRAS SERÁ RELATADO HOJE, 09/05, NA CÂMARA

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Nesta quarta-feira, 09/05, será apresentado na comissão especial da Câmara dos Deputados o relatório do deputado governista José Carlos Aleluia – DEM-BA, sobre o PL 9.463/18, projeto de lei que autoriza o governo Temer a privatizar a Eletrobras. O relatório é favorável ao projeto do governo.

Segundo as regras da Câmara dos Deputados, após a apresentação do relator é aberto um prazo de cinco sessões em plenário para apresentações de emendas. Apenas após essas sessões pode ser iniciada a votação do projeto.

Sindicatos que compõem o Comando Nacional dos Eletricitários – CNE e a Federação Nacional dos Urbanitários realizam intenso trabalho contra a aprovação desse projeto. Entendem que essa privatização atenta contra o país porque entrega a maior empresa de energia elétrica da América Latina por valor irrisório.

Na tarde de ontem, 08/05, lideranças da categoria eletricitária foram expulsas do plenário por determinação do Deputado Hugo Motta – MDB-PA, que preside a comissão especial de análise do projeto.

Mas graças a essa movimentação e ao apoio de significativo número de deputados contrários a privatização, conseguiu-se uma alteração no plano de trabalho do relator, prevendo discussão prévia sobre a privatização em audiências públicas estaduais, onde os impactos poderão ser discutidos por movimentos sociais, assembleias legislativas e governos estaduais e municipais. No dia 07/05 já foi realizada audiência em Santa Catarina e em Minas Gerais. Estão marcadas audiências para o dia 11/05 em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

PARA ENTENDER O ESCÂNDALO DESTA PRIVATIZAÇÃO:

– O governo Temer pretende arrecadar, com a venda do controle acionário da Eletrobras, em torno de R$ 20 bilhões;

– O patrimônio da Eletrobras inclui 233 usinas (47 hidrelétricas) de geração de energia elétrica. Inclui também 70.201 Km de linhas de transmissão e 271 subestações. Construir um patrimônio totalmente novo equivalente ao que representa a Eletrobras, custaria mais de R$ 350 bilhões, segundo cálculos de especialistas;

– As usinas geradoras da Eletrobras produzem em torno de 182 milhões de MWh/ano, sendo que 87% dessa geração é hídrica e renovável, abastecendo o consumo residencial de 70,5 milhões de brasileiros. A energia gerada pela Eletrobras, a preços cobrados pela iniciativa privada, geraria R$ 45 bilhões ao ano, sem incluir aí valores de transmissão e distribuição;

– Além de ser uma entrega a preço irrisório, a privatização da empresa levaria o país a perder o controle de recursos energéticos e hídricos fundamentais para pensar seu desenvolvimento.

Valdir Grandini – Jornalista da Assessoria de Comunicação do Coletivo CSEC. Com informações da Federação Nacional dos Urbanitários e Sindicato dos Urbanitários do DF.
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COPEL E SINDICATOS NEGOCIARÃO A PLR/18, DIAS 16 E 17 DE MAIO

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Os sindicatos que representam os trabalhadores da Copel e a Comissão de Negociação da empresa se reunirão nos dias 16 e 17 de maio para negociação do Acordo da PLR, relativo ao período de 2018, para pagamento aos empregados em 2019.

Os sindicatos defenderão na reunião alguns parâmetros que consideram importantes:

1- Que os critérios e metas garantam que o percentual de PLR distribuído aos empregados possa chegar a 25% do montante distribuído aos acionistas, que é o teto previsto em lei. O objetivo é evitar metas e fórmulas de cálculo que impeçam, de antemão, essa possibilidade;

2- Que as metas e seu peso nos cálculos que definem o montante a ser distribuído sejam focadas prioritariamente em critérios de produtividade dos trabalhadores, evitando-se o que for sujeito a oscilações de políticas e de mercado;

3- Que a empresa se comprometa com uma agenda onde a proposta final para a PLR/18 possa ser avaliada em tempo hábil pelos trabalhadores, permitindo acompanhar e atuar para o atingimento das metas.

O blog COLETIVO informará sobre a reunião.

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O MAIO DE MAIAKOVSKI

Maiakovski

O instigante poeta russo Vladimir Maiakovski nasceu em Moscou, em 19 de junho de 1893, e também nessa cidade morreu, em 14 de abril de 1930. Chamado “poeta da revolução”, por sua ligação com a revolução socialista de 1917, que criou a União Soviética, é reconhecido no mundo da literatura como um dos maiores poetas do século XX e um modernizador da poesia.

O próprio poeta conta, em um texto biográfico intitulado “Eu mesmo”, uma passagem de seus sete anos, quando andava com o pai a cavalo, de noite, em meio a mata, envoltos em neblina e repentinamente saíram de um desfiladeiro dando de frente com uma paisagem “mais brilhante que o céu”. Era a luz da eletricidade de uma grande fábrica. “Depois de ver a eletricidade, deixei completamente de me interessar pela natureza”, afirmou o poeta. Afirmação que deixa clara a característica maior de sua poesia: o compromisso com o futuro, com as conquistas humanas e com o direito de todos a elas.

Contam sobre sua poesia que, em 1917, os soldados e operários revolucionários, em meio à batalha nas ruas de Moscou, repetiam seu verso: “Come ananás, mastiga perdiz / teu dia está prestes, burguês” (tradução do poeta brasileiro Augusto de Campos).

Era um poeta ousado, um recitador compulsivo. As vezes se vestia de forma diferente, com um jaquetão e uma gravata amarelas, para chamar atenção. Defendia sua poesia e visão de mundo de forma contundente. E não era por menos, porque se trata de um escritor perfeccionista.

Quando seu colega poeta Iessiênin suicidou-se, em dezembro de 1925, deixou em bilhete versos que terminavam pessimistas: “Se morrer nessa vida não é novo / tampouco há novidade em estar vivo”. Compelido a responder esse pessimismo, Maiakóvski se pôs a compor um poema onde reescreveu e lapidou mais de 60 vezes a frase final: “É preciso arrancar alegria ao futuro. / Nesta vida morrer não é difícil. / O difícil é a vida e seu ofício”.

Dava à sua poesia uma enorme importância: “Se eu falo ‘A’, este ‘a’ é uma trombeta-alarma para a humanidade”, disse em um de seus poemas. Não por acaso, o poema de Maiakovski que publicamos em nossa sequência pelo 1º de maio fala dos trabalhadores como uma primavera com sol esperto, que derrete o gelo do mundo. Maio é o tempo da luta dos trabalhadores:

“Sou terra – O maio é minha era!” 

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“OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO”, OBRA DE VINÍCIUS DE MORAES

Vinícius

Hoje é dia de Vinícius de Moraes, na sequencia de publicações no blog COLETIVO, de poetas que escreveram sobre os trabalhadores e suas lutas, especialmente por ocasião do 1º de Maio. Vinícius nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Foi cantor, compositor, jornalista e diplomada. É um dos poetas mais populares do Brasil, carinhosamente chamado de “poetinha” pelo amigo Tom Jobim.

Embora ligado à canção brasileira, ao teatro e ao cinema, Vinícius sempre teve a poesia como sua principal vocação. A junção da poesia com a música o levou a parcerias que fazem parte da história da MPB, com Tom Jobim, Chico Buarque e Toquinho, entre outros.

Aos 20 anos, em 1933, o “poetinha” lança seu primeiro livro, intitulado O caminho para a distância, mas é dois anos mais tarde, ao lançar Forma e exegese que vai ser reconhecido como poeta, com o livro recebendo elogios do poeta Manoel Bandeira.

Em 1941, Vinícius começa no jornalismo e nos estudos para a carreira diplomática. Em 1946 assume o primeiro posto diplomático, em Los Angeles, EUA. Em 1954, Orfeu da Conceição, sua peça para o teatro, é encenada pela primeira vez, vindo depois a ser adaptada para o cinema. Nessa peça, Vinícius se inspira no drama da mitologia grega para recriá-lo no ambiente do carnaval brasileiro.

Com o golpe militar de 1964, se coloca ao lado dos que lutaram pela democracia. Em 1968, quando da edição do Ato Institucional No 5 – AI5, realizando um show em Portugal, Vinícius faz do palco um ato de protesto, lendo seu poema “Pátria Minha”. Foi exonerado dos serviços no Itamaraty no ano seguinte, por ordem direta de Arthur Costa e Silva.

Em 1979, em plena greve dos metalúrgicos no ABC paulista, Vinícius de Moraes lê, em uma das assembleias lotadas de gente, “O Operário em Construção”, sendo aplaudido por milhares de trabalhadores. O poeta faleceu no ano seguinte, no dia 9 de julho, em sua casa na Gávea, vítima de embolia pulmonar. O parceiro Toquinho estava a seu lado.

“Operário em Construção” foi escrito em 1956, do começo ao fim falando da tomada de consciência de um operário da construção civil, mas remetendo a consciência de todos os trabalhadores.

O poema é escrito no melhor estilo rimado das poesias do cordel popular e é totalmente inspirado na passagem bíblica do Evangelho de Lucas, em que Jesus, no deserto, enfrenta as tentações do demônio. A passagem é transcrita por Vinícius antes de iniciar o poema, tal e qual:

“E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.

E disse-lhe o Diabo:

– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:

– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

Lucas, cap. IV, vs. 5-8.

No poema, esse embate é transferido para o patrão, que tenta comprar a consciência do operário e para seu “não” como resposta. Mas nesse embate está toda riqueza do poema. Vinícius mostra a consciência como uma conquista de visão e de conhecimento do trabalhador: “o que via o operário, o patrão nunca veria”.

Poucas são as criações da literatura que deram conta de mostrar, de forma tão consistente e bonita, a lógica das relações de trabalho, incluindo a percepção da exploração pelos trabalhadores e a noção de que não acontece com um apenas, mas com todos:

“O operário via as casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.”

Também estão ali a delação de companheiros que preferem unir-se aos interesses dos patrões e delatar o companheiro, mas acima de tudo está a consciência histórica:

“E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão.”

Pode-se dizer que Vinícius nesse poema foi um pedreiro mestre no ofício. Casa palavra colocada no prumo, assentada no todo. Uma verdadeira obra prima.

Como se trata de um longo poema, aqui publicamos seus trechos principais.

Para ler o poema na íntegra, clique aqui

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