1º DE MAIO, DIA DA LUTA E DA ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES

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Trabalho infantil na Inglaterra, no final do século XIX

Em meados do século XIX, a jornada média de trabalho nos grandes centros industriais do mundo era de 15 horas. Em Londres havia uma população de 2 milhões de pessoas, concentradas pelo novo mundo da indústria, o que era assustador na época. Em Manchester, um dos principais centros fabris ingleses, o cenário urbano era degradante e os ambientes de trabalho eram insalubres e extenuantes. Crianças eram amplamente empregadas nas fábricas e mal tinham tempo de dormir.

As lutas operárias eram efervescentes. Em 1850 surge um intenso movimento internacional de luta pela jornada de trabalho de oito horas, comandadas pelas chamadas Liga das Oito Horas. Em 1884, nos EUA e no Canadá, trabalhadores convocam uma greve geral para exigir a redução da jornada para todos, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”, como dito em seu manifesto. A data para a greve foi o dia 1 de maio.

A greve convocada teve enorme adesão, na quase totalidade das fábricas. No dia 4 de maio, durante um protesto dos grevistas, o conflito com a polícia explodiu, levando a morte de 38 operários e deixando outros 115 feridos.

O governo decretou estado de sítio em Chicago. Mais de 300 grevistas foram presos. Oito líderes do movimento foram levados a julgamento, acusados da morte de um policial, vitimado por bomba no confronto. No julgamento, sete foram condenados à morte e um a 15 anos de prisão, numa das maiores farsas judiciais da história, com falta de provas. Diante de uma onda de protestos, três dos condenados tiveram pena reduzida para prisão perpétua. Outros quatro foram enforcados. Um dos julgados morreu na prisão e o governo alegou suicídio.

Os chamados “Cinco Mártires de Chicago” foram enterrados acompanhados de enorme multidão que protestava. As casas de trabalhadores, nos dias seguintes, tinham flores vermelhas penduradas em sinal de protesto. Seis anos depois o processo foi reaberto e o juiz concluiu que os condenados não haviam cometido qualquer crime, mas sido vítimas de “erro judicial”.

Outra manifestação marcante aconteceu na cidade industrial francesa de Fourmies, em 1891. Convocada em defesa da jornada de oito horas, o que era para ser uma manifestação pacífica seguida de festejos terminou reprimida por policiais armados, onde cerca de 200 manifestantes enfrentaram 300 soldados, terminando com 10 mortos, com idade entre 11 e 20 anos, e outros 3 feridos.

Os trabalhadores passam a usar como símbolo, todo 1º de maio, um triângulo vermelho, que significava o lema de sua luta: “8 horas de trabalho, 8 horas de recreação e 8 horas de descanso”.

A partir dessas histórias e da crescente luta dos trabalhadores no mundo, em 1º de maio de 1890 o Congresso dos EUA aprova a jornada de oito horas de trabalho, criando efeito cascata no resto do mundo industrializado. Em 1889, num congresso internacional de trabalhadores, em Paris, a data se torna Dia Internacional do Trabalhador.

O PRIMEIRO DE MAIO INICIOU A LUTA DOS TRABALHADORES NO BRASIL

Rio 1 maio

Manifestação de 1o de Maio no Rio de Janeiro, em 1917

O Brasil teve regime de escravidão por quase 400 anos, e quando terminou, juntou o abandono social da população negra de ex-escravos com  imigrantes europeus que eram assalariados em condições de desmedida exploração. Direitos eram peça de ficção e até as primeiras décadas do século XX lutou-se pela redução da jornada de trabalho, que chegava a 16 horas diárias, pelo fim da exploração da mão de obra adolescente e de condições gerais de trabalho degradantes e insalubres. Não havia legislação nacional de proteção, o que favorecia os abusos.

Nesse início do século XX, surgiam os sindicatos no Brasil, lutando por necessidades básicas, como descanso mínimo, assistência básica em caso de dispensa e iluminação e ventilação de ambientes. A primeira greve de grande monta aconteceu em 1917, em São Paulo, levando mais de 70 mil trabalhadores a cruzarem os braços, com intensa manifestação também no Rio de Janeiro, acontecidas em 1º de Maio.

A jornada de oito horas no país se consolidou a partir da década de 30. Diante do crescimento da luta trabalhista, o governo de Getúlio Vargas a implanta, bem como a legislação previdenciária, as férias remuneradas, o pagamento de horas extras e a proibição do trabalho infantil.

Como lembrou o estudioso da cultura Antônio Cândido, não se pode conceber as conquistas sociais sem considerar a luta dos trabalhadores por elas. Segundo ele, foram essas lutas, e não a bondade patronal, que geraram esses avanços. No mesmo sentido o inglês Raymond Williams, fundador dos Estudos Culturais ingleses, raciocina que há uma contribuição decisiva da classe trabalhadora nas conquistas democráticas e humanizadoras.

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