SINDICATOS E DEPUTADOS CRIAM MOVIMENTO CONTRA PRIVATIZAÇÃO DA COPEL E DA SANEPAR

Reunião pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná na tarde da última segunda-feira, 21 de setembro, juntou deputados, sindicalistas e representantes de movimentos sociais no empenho contra o Projeto de Lei 662/2015, que o governo Beto Richa enviou para a Assembleia Legislativa, com o objetivo oculto de liberá-lo para promover a venda de ações que pode privatizar a Copel e a Sanepar, dois dos mais importantes patrimônios públicos paranaenses.

Dois deputados estiveram à frente na organização da reunião, Requião Filho, do PMDB e Tadeu Veneri, do PT. Os dois foram apoiados e prestigiados na reunião pelo deputado federal João Arruda e pelos deputados estaduais Evandro Araújo, Márcio Pacheco, Tercílio Turini, Ademir Bier, Palozi e Nelson Luersen. Do lado do movimento sindical, estiveram presentes os sindicatos do Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Copel, sindicatos representantes dos trabalhadores da Sanepar, representantes da Federação Nacional dos Urbanitários – FNU, Federação dos Bancários – Fetec-PR e da Central Única dos Trabalhadores – CUT.

As críticas ao projeto do governo Beto Richa foram unanimes entre os deputados e sindicalistas. Causou revolta o envio do projeto depois de, em maio deste ano, Beto Richa ter dito publicamente que não defendia a venda de ações da Copel e da Sanepar, e que desautorizava qualquer membro do governo a tratar do assunto. O governador disse isso depois de – também em maio – o Secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, ter anunciado pela imprensa a intenção do governo estadual de vender ações. “É um abuso o assunto voltar à pauta agora, escondido nas entrelinhas de um projeto que reúne 14 medidas diferentes umas das outras, num único pacote de maldades, recheado de pegadinhas. Não vamos deixar que isto aconteça e comprometa ainda mais o bolso e o patrimônio dos paranaenses”, afirmou o deputado Requião Filho.

 O projeto prevê, ironicamente, a criação de um fundo de combate à pobreza, mas na prática, quer limpar caminho para o governo a vender ações das empresas públicas sem autorização Legislativa. O Projeto de Lei 662/2015 deve entrar em votação nas próximas sessões e já recebeu emendas e teve alguns artigos retirados. Os deputados Tadeu Veneri, Requião Filho e outros, afirmaram que o governo havia sinalizado retirar o artigo referente à venda das ações das empresas públicas, mas alertaram que não dava para confiar nisso e que o objetivo dessa sinalização pode ser desmobilizar a ação dos sindicatos, movimentos sociais e partidos de oposição.

O engenheiro e sindicalista Leandro Grassmann expos com dados que ao longo dos anos a Copel tem deixado de investir o necessário na manutenção das usinas, subestações e transmissão, num proposital descaso com o futuro da Empresa, sinal da pouca vontade do atual governo em mantê-la como empresa pública de ponta. Um estudo técnico apresentado pela assessoria do deputado Requião Filho mostrou que no governo Lerner ações da Copel foram colocadas em caução em empréstimos realizados pelo governo junto ao BNDES, que, não sendo pagos passaram essas ações a outros donos que não mais o estado do Paraná. Agora, Beto Richa apresentou um novo projeto onde ações da Copel e da Sanepar entram em caução para empréstimo em favor da concessionária que vai pedagiar a PR 323, no trecho Maringá – Guaíra, visando duplica-la. A conclusão é que já está em andamento uma privatização silenciosa.

Jonas Braz, da Federação Nacional dos Urbanitários e Claudeir Fernandes, do Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Copel, pronunciaram-se alertando para a necessidade de informar, esclarecer e mobilizar a população, em atos que defendam as empresas públicas do Paraná.

FRENTE PARLAMENTAR E MOBILIZAÇÃO POPULAR

Três encaminhamentos de resistência às intenções privatistas foram aprovados na reunião. O primeiro, de acompanhar as próximas sessões da Assembleia Legislativas e garantir que seja mesmo retirado do projeto o item que permite a venda das ações. O segundo encaminhamento partiu dos deputados presentes, que criaram uma Frente Parlamentar em Defesa da Copel e da Sanepar e vão buscar a adesão dos colegas. “Muitos deputados aliados do governo não concordam com essa venda das ações e podem somar conosco”, afirmou o Deputado Tadeu Veneri. O terceiro encaminhamento partiu do movimento sindical e prevê a mobilização popular contra a privatização. Uma manifestação pública foi marcada para o próximo dia 3 de outubro, para ocorrer em todo estado.

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